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Sobre nós

Somos a Inês e o Miguel. Abrimos uma loja pequena na Baixa de Coimbra em 2024 e nunca mudámos a forma de escolher.

O nome veio de uma tradição

Em Coimbra, no primeiro dia de maio, penduram-se ramos de flores nas portas. Chamam-se maias, e diz-se que trazem boa sorte a quem entra.

Foi daí que veio o nome. Queríamos uma loja assim: uma coisa simples à porta, e quem entra sai melhor do que entrou.

Começou à mesa da cozinha

Conhecemo-nos em Coimbra e nunca chegámos a sair de cá.

No fim de 2023, a Inês trabalhava em retalho há oito anos. Sabia escolher, sabia o que durava, sabia o que voltava — e passava os dias a vender roupa em que não acreditava. O Miguel fazia contas para uma empresa de contabilidade e ouvia-a queixar-se ao jantar.

Uma noite, à mesa da cozinha, fizemos as contas de outra coisa. Quanto custaria uma loja pequena. Quantas peças precisávamos de vender por mês. Quanto tempo aguentávamos se corresse mal.

As contas davam. Por pouco, mas davam.

Março de 2024, a dois passos do Arco de Almedina

Abrimos com duas araras, um espelho e nós os dois. O espaço era tão pequeno que, quando entravam três pessoas, uma de nós ia esperar lá fora.

No primeiro mês vendemos onze peças. Sabíamos o nome de todas as pessoas que as levaram.

O verão foi lento, como é sempre em Coimbra quando os estudantes vão para casa. Usámos esses meses para aprender: o que ficava bem em corpos reais, o que voltava por causa das costuras, o que as pessoas pediam e nós não tínhamos.

Setembro, quando a cidade voltou

Uma cliente trouxe a irmã. A irmã trouxe uma colega do trabalho. A partir daí, os sábados foram sempre cheios.

Não fizemos publicidade nesse ano. Foram elas que nos fizeram — e é por isso que continuamos a tratar cada encomenda como se fosse entregue ao balcão, em mão.

Como escolhemos

O critério não mudou desde a primeira arara: só entra na loja o que usaríamos.

Provamos os tecidos antes de encomendar. Lavamos as peças que nos parecem duvidosas. Abrimos todas as caixas que chegam e mandamos de volta o que não presta. Preferimos ter pouco e responder por tudo.

Por isso não temos coleções enormes nem novidades todas as semanas. Temos o que passou pelas nossas mãos.

Onde estamos agora

Continuamos os dois. Continuamos na Baixa.

A diferença é que agora enviamos para todo o país. Se não puder passar por Coimbra, passe por aqui — é a mesma loja, com mais portas.

— Inês e Miguel